terça-feira, 24 de setembro de 2013
Introspecção vs Extrospecção
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Ser nada
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Dente de leão
Numa leve brisa de Primavera…
Adejam sem destino, sem fim,
Sem encontrar o chão da razão ou a quimera…
-
E num balouçar de loucos, o meu corpo cede
A uma qualquer agitação que passe…
E o que a mim antecede
É um corpo sem cor, sem flor, sem quem o abrace…
Ai pudesse eu falar… sem que ninguém ouvisse
Tudo diria, por entre o vento
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Cessar
E se… e se eu amanhã morresse?
E o meu corpo, cadáver, ficasse caído sobre as flores
Que brotam na montanha onde nasci e, cheias de cores,
.
E se eu fosse, numa pós-morte qualquer,
Acariciar as faces húmidas da minha mãe que berra?
Abraçasse com a maior afeição os irmãos que, em guerra,
Tentam enxergar como já nem a vida me quer?
.
E… e se eu fosse beijar a boca do meu amor?
Que chora pela sua perda, pela dor que agora carrega
E se… e se eu apenas e tão só morresse,
nascesse?
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Partilharmo-nos
Existia uma longa imprecisão da definição
Daquilo a que eu e tu pertencíamos.
Não éramos família, não éramos apaixonados, mas tínhamos
Em conjunto um único coração.
.
Esse coração bombeava sangue para as veias,
Sangue quente, quase a ferver, que percorria tudo.
No entanto, levantou-se um sentimento absurdo
Que nos levava a respirar com os mesmos pulmões, a meias.
.
Partilhamos assim um tronco, um corpo
Unidos um ao outro, respirando com boca na boca,
Saboreando as nossas línguas e a viver a pouca
Sorte que tínhamos em pertencer um ao outro.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Palavras com formas
Procuro escrever palavras com perfume que lidas possam ser cheiradas,
Palavras com formas, silhuetas, que lidas possam ser tocadas.
.
Quero escrever todos os mundos que dentro de mim fustigam
Descrever o que não se pode ver, mostrar emoções que perigam!
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Quero com as palavras lavar toda a má vida que de mim se apoderou!
Escrever, e com as palavras apagar o que de mau fui e ainda sou…
.
Pudessem vocês ver o que me habita, o monstro que me come as entranhas
Esse monstro que mora no espelho, com feições que me são tão estranhas…
terça-feira, 1 de junho de 2010
A dor da memória
Faz do teu peito a minha cama sem receio, sem pressa,
Uma noite só, que seja, não interessa…
Ficaria a memória da única que tive,
Repetida em cada sombra que a lembre…
.
É tão maior que eu a vontade, tão feroz e atroz e má
Que me aflige, lacera e queima!
É como um fogo que sobre a minha pele teima
Em se fazer maior que o sol!
.
E saber que foste tu quem me quis enlaçar,
Num abraço que rouba o ar,
Levando-me adormecido para o mar alto e lá me deixares,
Naufrago a boiar… sem terra, sem rumo,
Queimando sobre um sol de gente que desprezo,
Que não ouço,
Que não vejo,
Que não sinto.
És tu e só tu quem almejo
Lá longe, ainda fugindo sem me dizer o destino ansiado!
Não vás. Fica! Fica meu amor!
Cá atrás tudo é tanto e tudo é tanta dor….
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Ligeiro Calafrio
Olhou-me sem medo, enfrentando os meus olhos cor de céu,
Como uma águia-real que livremente por lá voa!
As minhas faces pálidas logo se encheram do sangue meu
E enrubesci, tanto quanto a intensidade do momento magoa!
-
E a minha voz desconjuntou-se num tremor que doía
Como se por mim passa-se um rio frio cheio de nada.
O ar estancou na garganta e nem gemer eu podia:
Aqueles olhos largaram sobre mim uma fortuna tão pesada.
-
Mas não há histórias de amor encantadas, ou não as quero…
Porque não as tenho nem as consigo criar,
Nas minhas palavras fica a dor de um qualquer desespero,
Mas é na falta dos seus actos que fica um passo por dar.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Maria Eduarda
A dança lacrimosa de um só homem na rua
Que se julga tanto e sempre tão menos que eu,
Que passa as noites de inverno imaginando nua
A mulher que lhe faz fazer o caminho inverso ao do céu!
-
Maria Eduarda, de nome elitista, nunca irá viver.
Está finda, em branco, dentro da minha carne
Como um lume que se apaga sob uma nuvem a chover.
Ela ficará por detrás de mim, esperando quem a chame.
-
Ela nunca será filha, ela nunca será irmã,
Nem mesmo mãe ou virgem. E até puta!
Ela não será Ela… Não o pode ontem, nem hoje, nem amanhã!
Ela será uma derrota, nesta minha imutável luta...
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Só por hoje
Amor, só hoje, só por hoje,
Por favor, não venhas dormir comigo…
Pesas tanto longe
E dois tanto, quando perto...
.
Não é dor, é não saber sorrir,
A boca tem trejeitos que desconheço,
Que não sei embelezar, nem fingir…
Cansei-me dos meus beijos, confesso.
.
Amor, por hoje por favor,
Não me abraces! Só por hoje…
Fazes-me arder e dói tanto sem ser dor
E é tanto só para por mim ser sentido…
.
Não te quero e por ti desespero,
Não me sei,
Desconheço-me e só a mim quero.
Encontro-me em ti, e não gosto de mim.
sábado, 31 de outubro de 2009
barco de madeira
Não queres vir?
Não queres vir comigo para o barco
De madeira que eu construi,
Para me levar a lado algum?
E por onde eu outrora corri,
Campos de flores, estradas alagadas de ferro,
Tudo vai ser deixado…
Não há nada a que me possa prender.
Minha mãe chorará,
Mas um dia as ondas vão-ma trazer…
~
Não queres vir?
Para sitio nenhum?
Ficar boiando no mar alvo
Lembrando que não há chão?
Só eu e tu, sendo um,
Nus debaixo do sol,
Ate que a madeira ceda
E a vida abdique de nós,
E lentamente o mar nos beba,
E ali fiquemos para sempre,
Na garganta das ondas…
sábado, 24 de outubro de 2009
Tese do suicído em massa
E se o meu corpo apenas saísse, procurando uma outra alma
Que não o faça ser punido pela confusão que sinto,
Por cada vez que acredito no Homem, quando a mim minto.
Se eu fosse deus tiraria desta terra ocupada à força todos os homens,
Faria o tempo voltar para trás e apagaria todos os ontens,
Deixaria tudo para os irracionais que vivem querendo apenas viver,
De seguida, se eu fosse deus, eu me castigaria, eu me faria morrer.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
A boca da Cascavel
Não vês que sou um dia de chuva, a boca de uma cascavel.
Sou aquele que ao nascer do dia deseja a noite
A noite triste e escura que é-me mãe, irmã e amante fiel!
E quando alguém me agarra na armadilha do Amor
Eu liberto-me, usando este coração que suja e eu limpo.
Sou a asa dum pássaro pronta para voar
Voar do inferno até atingir o céu mais alto, tocar o Olimpo
Mas na verdade, sou uma asa partida e inválida,
Que se debate por levantar voo, para alcançar um fôlego de ar,
E este meu coração é na verdade a boca de uma cascavel,
Que mata o seu amante quando apenas o quer beijar.
domingo, 19 de abril de 2009
A queda
De maquinas, que cuspindo fumo me chamam!
O vento que me entra pela boca não sai de mim,
Fica-me pesando para debaixo dos ferros que me acamam.
Lá fora mora o perigo, e de perigo eu sinto falta!
Da varanda que trepei me atiro olhando bem no chão,
Querendo logo trepar uma seguinte, uma mais alta
E uma outra vez me auto-inflingir a queda, o empurrão.
Caiu de novo por entre a multidão que assiste
Tépida, amordaçada pelo encanto de tão trágica queda!
Eu ali espalhado, como pronto para ouvir a canção triste
De quem chora, de quem esqueceu que a morte e certa.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
A chuva que choro
Como se ela fosse um choro
Pelo o tempo que fora de mim me demoro…
Dançando na rua, mostrando o meu corpo nu,
Minha alma nua,
Meu coração despido, e tu,
Ferida aberta que toldas os meus olhos abertos,
Não queres continuar a chorar,
Não queres a vida em volta olhar…
Eu agasalho-me, sem querer quereres e desejos,
Já despejada de mim toda a vontade,
Não querendo abraços, desprezando beijos.
Mantenho-me apenas de pé, um soldado,
Erecto pelo seu ego
E pela sua inconsciência abençoado.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
talvez um dia o vento seja eu
Ou uma ou outra vez me traga aquela vertigem, aquele calafrio
Que vai trepando pela espinha, estremecendo o corpo.
Talvez um dia o vento traga alguém que não chegue morto.
E tu, que te vi morrer dentro de mim, comigo,
Voltes a nascer e, por pena, me leves contigo…
Talvez vivas naquelas brisas mais leves e quentes, que não vês,
Ou apenas, se houver apenas, te fiques por as quereres…
Talvez um dia o vento seja feito apenas de ti e de mim,
Sem vontade de ter inicio… ou pressa de chegar ao fim.
Levaremos tudo a nossa frente, deixando outro tudo para trás,
Sendo um só! E eu, sendo tu, de tudo serei capaz.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
o ultimo voou da noite
Talvez não seja eterna mas por enquanto não lhe vejo fim.
Deitado sobre terra, meu colo cheio de flores
Que não quero dar a ninguém, são todas para mim.
Meus pés pesam, arrastam-se no chão duro
Como se não quisessem transportar o meu corpo.
Lembro que há algo para esquecer, algo escuro
Que me trás noite a mente, ao coração, que me faz noutro!
Eu mexo as costas num único e singular movimento,
Os braços soltam-se de mim, as pernas caiem,
O tronco pega fogo e arde em sexo lento!
A pele estala, abre, dá espaço as asas que de mim saem!
Voou então noite fora sem ninguém a me pesar…
Livre voou como se fosse vento e pó…
Livre vou para onde não estou, sem amar,
Sem odiar, sem sentir, comigo mesmo, só!
quinta-feira, 26 de junho de 2008
nunca amei
Toda a gente tem um grande amor
Mas ninguém fica com ele. E é dor.
E eu, que só nasci ainda, que nunca amei?
Vivi-lhe sempre tão longe, como acabarei?
Tantos vivem, tantos morrem, por um amor
Mais forte que qualquer outra vontade! Ou dor.
E eu, que nunca amei? Morrerei? Viverei?
Não quero saber, porque não o sei…
segunda-feira, 16 de junho de 2008
soldado amputado
sou teu e de ninguem.
meu sem me querer,
de todos os que me querem e teem,
do mero nascer ate ao envelhecer...
nao me quero
mas por mim mesmo desespero!
dou-me ate me diluir...
perder as formas,
a terra me fundir,
ser apenas sobras
duma vida que de mim deixei fugir.
sou soldado amputado,
encurralado...
domingo, 8 de junho de 2008
Noite...
Já não a reconhecia… assim silenciosa.
Ela olhou-me lá do alto e foi descendo aos poucos…
Escura, velha, cansada, gasta… dolorosa.
Foi abraçando os telhados, as copas das árvores,
As ruas que se despiam das gentes…
Deitou-se sobre as casas ao comprido…
Foi entrando pela minha janela suavemente, silenciosamente.
Olhei-a simplesmente, admirando-a!
Ela vem, preparada para ir e retornar.
Leva sempre um pouco de mim! Deixo-a levar.
Rouba-me o tempo.
Eu apenas o deixo ir… não lho posso negar.
Ela tem um corpo diferente para todos os que ela abraça…
Mas seu braço é sempre o mesmo
E já lhe reconheço o toque… sua carcaça…
sábado, 7 de junho de 2008
não sei quem és e dóis-me
Nesta cama me empresto…como se da terra se tratasse!
Sinto que sempre lhe pertenci…
Magoo-me demasiadas vezes como se me curasse
Por cada lágrima que de mim para ti verti.
Sinto-me só, comigo mesmo… escondido dentro de mim
Protegido por tão vastos e altos muros
Construídos para que a vista não lhe alcança-se o fim
E onde todos os corpos são de pedra, duros…
Lá dentro me encontro... esperando nem sei bem o quê.
Parado, absorvido pelo olhar, a o olhar…
Talvez olhe, esperando que um alguém entre e me dê
Aquilo que eu nunca consegui tocar!
Entra por mim a dentro, destrói tudo! Leva tudo! Agarra-me!
Toca-me, beija-me o corpo e deixa-me… para depois
Saíres de mim… abandonar minha carcaça!... Abraça-me!
Não me deixes aqui emprestado, só tu me dóis…
Ajuda-me… sinto-me perdido de mim… não me encontro,
Não sei se me pertenço… tudo confuso e dói.
Não lembro quem fui, mas sinto-me tão frágil ao ponto
De quebrar se não me tocares. E não sei quem és e quem foi…
sábado, 24 de maio de 2008
alma vs corpo

Alma dum corpo moribundo.
Alma estéril, cansada…
O corpo, esse pertence ao mundo.
Corpo… empobrecido pelo fácil toque!
Difícil seria lhe resistir.
Indecente a morte
Que não me deixa fugir.
Bom é o que de mau tenho
Falta-me o ar, cai o corpo.
Quebra o chão, a alma eu empenho
Querendo nesse meu corpo, um outro…
segunda-feira, 12 de maio de 2008
abraçado pela indiferença
Talvez acorde com um outro peito, sem o lado esquerdo
Numa insónia duma noite lenta que aquele dia tem e a mim interessa
O que já não pertence ao sono do meu tenro medo.
Não irei sonhar uma outra e diferente imagem, eu sei.
Tenho-te, como uma noite escura diante dos meus olhos, fechados.
Abro a mão daquilo que nunca dei, nem mesmo usei!
Tranco-me por dentro, mas até meus ossos por ti estão marcados.
Eu quero esse amor que vem em segunda mão,
Gasto e estragado, até um pouco despedaçado!
Estou abraçado pela tua indiferença, duro como um chão
Que já ninguém pisa. Amor em segunda mão, usado.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
camisa-de-forças
Ir, para onde não sei… mas não sinto que tenha de regressar, sei sim que aqui não posso ficar.
Quero ir apenas… partir, fugindo de mim…
Soltar-me ao sabor do que nada sabe. Saborear o que sabor não tem.
Vou deixar que os olhos fiquem para trás, para eu me poder ver a afastar daquilo a que pertenci,
Sem sequer ser digno de pertencer a nada.
Eu vivi… sinto-o. Vi o meu ar aqui.
Esse ar que inspirei e não sai! Mais eu o puxo para fora de mim e mais sinto a pele a me apertar.
Grito entao os gritos que me rasgam a garganta e ecoam dentro de mim,
mas que não me deixem ser ouvido: O silêncio a volta é forte demais para quebrar. O silencio foi feito para tudo calar.
Não quero ficar, vestido pela camisa-de-forças, com a corda a me prender na parede,
Parede que não pertence a ninguém e é visão larga para todos.
Já não tenho fome de viver… nem sede, secaram as minhas nascentes, não sinto sede, e falha-me a sede... essa sede...
É hora de ir, deixem-me os movimentos soltos…
Deixem-me solto!
Larguem-me e salvem-me, amem-me para depois me odiarem,
Fodam-me, prendam-me outra vez. Para uma vez mais, sem me olharem, me soltarem e amarem
Para num outro dia igual a este e todos os outros, me prenderem de novo.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
buraco na parede
Chegou a altura de atravessar para o outro lado
Sinto algo a mudar
Olho para o todo
E sinto-me mais um buraco no escuro
Um herói sem rumo
Desenhei um coração no meu peito
Será verdadeiro ou serei menos humano?
As vezes apenas queria atravessar
Todas as coisas que faço
Sem senso
Todas as minhas necessidades de violência
Sinto falta de tudo
Eu quero voltar a errar
E ser lixo que jogas fora
Se continuar a magoar
Direi que estou bem
Fui feito para ser magoado
Feito para limpar de ti o que não vale a pena
Eu consigo caminhar na agua
Eu consigo caminhar no ar
Eu consigo caminhar em todos os sítios
Sem sequer la estar
Mas não consigo atravessar o buraco
E simplesmente partir
De toda a dor
Que a minha auto-violencia fez
segunda-feira, 3 de março de 2008
Ela chega
Ninguém me vai esperar...
