sábado, 31 de outubro de 2009

barco de madeira

Não queres vir?

Não queres vir comigo para o barco

De madeira que eu construi,

Para me levar a lado algum?

E por onde eu outrora corri,

Campos de flores, estradas alagadas de ferro,

Tudo vai ser deixado…

Não há nada a que me possa prender.

Minha mãe chorará,

Mas um dia as ondas vão-ma trazer…

~

Não queres vir?

Para sitio nenhum?

Ficar boiando no mar alvo

Lembrando que não há chão?

Só eu e tu, sendo um,

Nus debaixo do sol,

Ate que a madeira ceda

E a vida abdique de nós,

E lentamente o mar nos beba,

E ali fiquemos para sempre,

Na garganta das ondas…

sábado, 24 de outubro de 2009

Tese do suicído em massa

E se um dia eu me deixasse ficar esquecido na cama
E se o meu corpo apenas saísse, procurando uma outra alma
Que não o faça ser punido pela confusão que sinto,
Por cada vez que acredito no Homem, quando a mim minto.

Se eu fosse deus tiraria desta terra ocupada à força todos os homens,
Faria o tempo voltar para trás e apagaria todos os ontens,
Deixaria tudo para os irracionais que vivem querendo apenas viver,
De seguida, se eu fosse deus, eu me castigaria, eu me faria morrer.