quinta-feira, 26 de junho de 2008

nunca amei

Toda a gente tem um grande amor

Mas ninguém fica com ele. E é dor.


E eu, que só nasci ainda, que nunca amei?

Vivi-lhe sempre tão longe, como acabarei?


Tantos vivem, tantos morrem, por um amor

Mais forte que qualquer outra vontade! Ou dor.


E eu, que nunca amei? Morrerei? Viverei?

Não quero saber, porque não o sei…

segunda-feira, 16 de junho de 2008

soldado amputado


sou despojos de uma guerra que nao travei!
soldado amputado,
encurralado,
um trono sem rei,
agua parada
depois da enchurrada.

sou teu e de ninguem.
meu sem me querer,
de todos os que me querem e teem,
do mero nascer ate ao envelhecer...

nao me quero
mas por mim mesmo desespero!

dou-me ate me diluir...
perder as formas,
a terra me fundir,
ser apenas sobras
duma vida que de mim deixei fugir.

sou soldado amputado,
encurralado...

domingo, 8 de junho de 2008

Noite...


Ela chegou por fim…calma e serena…
Já não a reconhecia… assim silenciosa.
Ela olhou-me lá do alto e foi descendo aos poucos…
Escura, velha, cansada, gasta… dolorosa.

Foi abraçando os telhados, as copas das árvores,
As ruas que se despiam das gentes…
Deitou-se sobre as casas ao comprido…
Foi entrando pela minha janela suavemente, silenciosamente.

Olhei-a simplesmente, admirando-a!
Ela vem, preparada para ir e retornar.
Leva sempre um pouco de mim! Deixo-a levar.
Rouba-me o tempo.

Eu apenas o deixo ir… não lho posso negar.
Ela tem um corpo diferente para todos os que ela abraça…
Mas seu braço é sempre o mesmo
E já lhe reconheço o toque… sua carcaça…

sábado, 7 de junho de 2008

não sei quem és e dóis-me


Nesta cama me empresto…como se da terra se tratasse!
Sinto que sempre lhe pertenci…
Magoo-me demasiadas vezes como se me curasse
Por cada lágrima que de mim para ti verti.

Sinto-me só, comigo mesmo… escondido dentro de mim
Protegido por tão vastos e altos muros
Construídos para que a vista não lhe alcança-se o fim
E onde todos os corpos são de pedra, duros…

Lá dentro me encontro... esperando nem sei bem o quê.
Parado, absorvido pelo olhar, a o olhar…
Talvez olhe, esperando que um alguém entre e me dê
Aquilo que eu nunca consegui tocar!

Entra por mim a dentro, destrói tudo! Leva tudo! Agarra-me!
Toca-me, beija-me o corpo e deixa-me… para depois
Saíres de mim… abandonar minha carcaça!... Abraça-me!
Não me deixes aqui emprestado, só tu me dóis…

Ajuda-me… sinto-me perdido de mim… não me encontro,
Não sei se me pertenço… tudo confuso e dói.
Não lembro quem fui, mas sinto-me tão frágil ao ponto
De quebrar se não me tocares. E não sei quem és e quem foi…