sábado, 24 de maio de 2008

alma vs corpo



Alma… minha alma é perturbada!
Alma dum corpo moribundo.
Alma estéril, cansada…
O corpo, esse pertence ao mundo.

Corpo… empobrecido pelo fácil toque!
Difícil seria lhe resistir.
Indecente a morte
Que não me deixa fugir.

Bom é o que de mau tenho
Falta-me o ar, cai o corpo.
Quebra o chão, a alma eu empenho
Querendo nesse meu corpo, um outro…

segunda-feira, 12 de maio de 2008

abraçado pela indiferença

Quero dormir sem o abraço apertado da tua indiferença
Talvez acorde com um outro peito, sem o lado esquerdo
Numa insónia duma noite lenta que aquele dia tem e a mim interessa
O que já não pertence ao sono do meu tenro medo.

Não irei sonhar uma outra e diferente imagem, eu sei.
Tenho-te, como uma noite escura diante dos meus olhos, fechados.
Abro a mão daquilo que nunca dei, nem mesmo usei!
Tranco-me por dentro, mas até meus ossos por ti estão marcados.

Eu quero esse amor que vem em segunda mão,
Gasto e estragado, até um pouco despedaçado!
Estou abraçado pela tua indiferença, duro como um chão
Que já ninguém pisa. Amor em segunda mão, usado.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

camisa-de-forças

Eu quero ir! Ir sem saber como voltar.
Ir, para onde não sei… mas não sinto que tenha de regressar, sei sim que aqui não posso ficar.
Quero ir apenas… partir, fugindo de mim…
Soltar-me ao sabor do que nada sabe. Saborear o que sabor não tem.
Vou deixar que os olhos fiquem para trás, para eu me poder ver a afastar daquilo a que pertenci,
Sem sequer ser digno de pertencer a nada.
Eu vivi… sinto-o. Vi o meu ar aqui.
Esse ar que inspirei e não sai! Mais eu o puxo para fora de mim e mais sinto a pele a me apertar.
Grito entao os gritos que me rasgam a garganta e ecoam dentro de mim,
mas que não me deixem ser ouvido: O silêncio a volta é forte demais para quebrar. O silencio foi feito para tudo calar.
Não quero ficar, vestido pela camisa-de-forças, com a corda a me prender na parede,
Parede que não pertence a ninguém e é visão larga para todos.
Já não tenho fome de viver… nem sede, secaram as minhas nascentes, não sinto sede, e falha-me a sede... essa sede...
É hora de ir, deixem-me os movimentos soltos…
Deixem-me solto!
Larguem-me e salvem-me, amem-me para depois me odiarem,
Fodam-me, prendam-me outra vez. Para uma vez mais, sem me olharem, me soltarem e amarem
Para num outro dia igual a este e todos os outros, me prenderem de novo.