sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Palavras com formas

Procuro escrever palavras com perfume que lidas possam ser cheiradas,

Palavras com formas, silhuetas, que lidas possam ser tocadas.

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Quero escrever todos os mundos que dentro de mim fustigam

Descrever o que não se pode ver, mostrar emoções que perigam!

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Quero com as palavras lavar toda a má vida que de mim se apoderou!

Escrever, e com as palavras apagar o que de mau fui e ainda sou…

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Pudessem vocês ver o que me habita, o monstro que me come as entranhas

Esse monstro que mora no espelho, com feições que me são tão estranhas…

terça-feira, 1 de junho de 2010

A dor da memória

Faz do teu peito a minha cama sem receio, sem pressa,

Uma noite só, que seja, não interessa…

Ficaria a memória da única que tive,

Repetida em cada sombra que a lembre…

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É tão maior que eu a vontade, tão feroz e atroz e má

Que me aflige, lacera e queima!

É como um fogo que sobre a minha pele teima

Em se fazer maior que o sol!

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E saber que foste tu quem me quis enlaçar,

Num abraço que rouba o ar,

Levando-me adormecido para o mar alto e lá me deixares,

Naufrago a boiar… sem terra, sem rumo,

Queimando sobre um sol de gente que desprezo,

Que não ouço,

Que não vejo,

Que não sinto.

És tu e só tu quem almejo

Lá longe, ainda fugindo sem me dizer o destino ansiado!

Não vás. Fica! Fica meu amor!

Cá atrás tudo é tanto e tudo é tanta dor….

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ligeiro Calafrio

Olhou-me sem medo, enfrentando os meus olhos cor de céu,

Como uma águia-real que livremente por lá voa!

As minhas faces pálidas logo se encheram do sangue meu

E enrubesci, tanto quanto a intensidade do momento magoa!

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E a minha voz desconjuntou-se num tremor que doía

Como se por mim passa-se um rio frio cheio de nada.

O ar estancou na garganta e nem gemer eu podia:

Aqueles olhos largaram sobre mim uma fortuna tão pesada.

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Mas não há histórias de amor encantadas, ou não as quero…

Porque não as tenho nem as consigo criar,

Nas minhas palavras fica a dor de um qualquer desespero,

Mas é na falta dos seus actos que fica um passo por dar.