sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ligeiro Calafrio

Olhou-me sem medo, enfrentando os meus olhos cor de céu,

Como uma águia-real que livremente por lá voa!

As minhas faces pálidas logo se encheram do sangue meu

E enrubesci, tanto quanto a intensidade do momento magoa!

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E a minha voz desconjuntou-se num tremor que doía

Como se por mim passa-se um rio frio cheio de nada.

O ar estancou na garganta e nem gemer eu podia:

Aqueles olhos largaram sobre mim uma fortuna tão pesada.

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Mas não há histórias de amor encantadas, ou não as quero…

Porque não as tenho nem as consigo criar,

Nas minhas palavras fica a dor de um qualquer desespero,

Mas é na falta dos seus actos que fica um passo por dar.