Eu tenho aquela espécie de vida sem muito significado.
Sem história, sem razões, sem bens ou feitos para deixar.
Não existe nada mais parecido com o nada que não ser
lembrado,
Esquecido como se nunca tivesse existido uma presença para
lembrar.
Alguém matou-me e eu, inebriado nesta minha
(in)existência,
Nem o percebi ou senti… ou se o fiz, não lhe dei qualquer
importância,
Pois não o lembro. Outro nada, sinónimo da minha clarividência
Quando disse a mim mesmo que nunca sairia da minha própria
ânsia.
E quando nos levam o sono e fica apenas a noite e o
pensamento?
Nada mais poderia doer tanto, quando procuramos definir algo
como a vida.
E quando nela existe uma rima triste, que nos mata, um
sangrento
Espírito nos doma e leva para a memória da existência que
será esquecida.
