domingo, 19 de abril de 2009

A queda

Outra vez se fez uma palavra lá fora no frenesim
De maquinas, que cuspindo fumo me chamam!
O vento que me entra pela boca não sai de mim,
Fica-me pesando para debaixo dos ferros que me acamam.

Lá fora mora o perigo, e de perigo eu sinto falta!
Da varanda que trepei me atiro olhando bem no chão,
Querendo logo trepar uma seguinte, uma mais alta
E uma outra vez me auto-inflingir a queda, o empurrão.

Caiu de novo por entre a multidão que assiste
Tépida, amordaçada pelo encanto de tão trágica queda!
Eu ali espalhado, como pronto para ouvir a canção triste
De quem chora, de quem esqueceu que a morte e certa.