quinta-feira, 14 de agosto de 2008

o ultimo voou da noite


Esta noite esta despida de amores e dores,
Talvez não seja eterna mas por enquanto não lhe vejo fim.
Deitado sobre terra, meu colo cheio de flores
Que não quero dar a ninguém, são todas para mim.

Meus pés pesam, arrastam-se no chão duro
Como se não quisessem transportar o meu corpo.
Lembro que há algo para esquecer, algo escuro
Que me trás noite a mente, ao coração, que me faz noutro!

Eu mexo as costas num único e singular movimento,
Os braços soltam-se de mim, as pernas caiem,
O tronco pega fogo e arde em sexo lento!
A pele estala, abre, dá espaço as asas que de mim saem!

Voou então noite fora sem ninguém a me pesar…
Livre voou como se fosse vento e pó…
Livre vou para onde não estou, sem amar,
Sem odiar, sem sentir, comigo mesmo, só!