Eu quero ir! Ir sem saber como voltar.
Ir, para onde não sei… mas não sinto que tenha de regressar, sei sim que aqui não posso ficar.
Quero ir apenas… partir, fugindo de mim…
Soltar-me ao sabor do que nada sabe. Saborear o que sabor não tem.
Vou deixar que os olhos fiquem para trás, para eu me poder ver a afastar daquilo a que pertenci,
Sem sequer ser digno de pertencer a nada.
Eu vivi… sinto-o. Vi o meu ar aqui.
Esse ar que inspirei e não sai! Mais eu o puxo para fora de mim e mais sinto a pele a me apertar.
Grito entao os gritos que me rasgam a garganta e ecoam dentro de mim,
mas que não me deixem ser ouvido: O silêncio a volta é forte demais para quebrar. O silencio foi feito para tudo calar.
Não quero ficar, vestido pela camisa-de-forças, com a corda a me prender na parede,
Parede que não pertence a ninguém e é visão larga para todos.
Já não tenho fome de viver… nem sede, secaram as minhas nascentes, não sinto sede, e falha-me a sede... essa sede...
É hora de ir, deixem-me os movimentos soltos…
Deixem-me solto!
Larguem-me e salvem-me, amem-me para depois me odiarem,
Fodam-me, prendam-me outra vez. Para uma vez mais, sem me olharem, me soltarem e amarem
Para num outro dia igual a este e todos os outros, me prenderem de novo.
