Aqui estou eu, aquele homem criado, de barba e fêmea,
Que na sua vida faz o que faz para quem lhe entra!
Aqui estou eu, ou melhor dizendo a verdade séria,
Aqui está ele, esse aí que vive fora de mim, que me
enfrenta,
E o seu mal é querer viver, sabendo que nada tem,
Por temer a morte. Como pode quem, nada é, nada dá, nada
faz,
Querer ser alguém e ter alguém, ser melhor que ninguém,
Esperar por uma outra sorte que lhe faça uma vida capaz.
Por favor ajudem esse aí, fora de mim, a ser salvo dessa
vida que demora
A chegar a esse maldito destino que me enamora…
Matem-lhe esse medo, esse medo de dor, de morrer e saber
a hora.
Puta, fêmea, homem de verdades e coragem, criança que
chora à noite de medo,
Ele é tudo isso e nada é pior do que ele ser eu, e viver
em segredo
Dentro desse enredo que finge que a esta hora a morte
chega cedo.
